domingo, 22 de julho de 2012

Fame: o musical




Um clima jovial, com muita dança e animação, invade o palco do teatro Frei Caneca e leva a plateia a entrar no mundo das intensas e variadas emoções típicas da era da adolescência: é o musical Fame, que permanece em cartaz até o dia 29 de julho.

Inspirada na produção cinematográfica de 1980, a peça é montada pela primeira vez no Brasil e conta com um jovem elenco composto por 33 atores. Eles trazem para o palco a história de personagens adolescentes que se conhecem em uma escola de artes, onde encontrarão na dança, na música e no teatro o estímulo para lutarem por seus sonhos, desenvolverem seus talentos e enfrentarem os dramas pessoais.

Conforme o desenrolar da trama o público vai se envolvendo com os medos, dramas e angústias que afligem muitos dos personagens, que enfrentam problemas como drogas, o preconceito por ser pobre e disléxico, entre outros conflitos.

Em geral os atores conseguem prender a plateia muito mais pelos números musicais do que pela história em si, já que esta apresenta uma linearidade desprovida de surpresas e inovações no começo, meio e fim da trama.

O elenco comete pequenos deslizes em razão da falta de maior prontidão e agilidade na sincronização dos movimentos feitos nas coreografias, mas nada que quebre o encanto das cenas e disperse os olhos da plateia. Quanto ao trabalho vocal, apesar de alguns destaques, muitos atores se dedicaram a cantar de forma convencional, sem destacar a voz, demonstrando disposição de fazer apenas o que lhes foi proposto. Talvez a ausência de maior ousadia, entrega e crença nos personagens por parte do elenco tenha contribuído para tal.

Compete destacar o excelente trabalho de Giulia Nadruz como uma das exceções no quesito voz. Ao interpretar uma das protagonistas da trama, a atriz, além de estar totalmente entregue ao seu personagem na interpretação, também ‘imerge’ na história através de sua excelente voz, conseguindo passar para a plateia toda a emoção presente no palco através das canções cantadas por ela.

Também vale realçar as excelentes expressões corporais e vocais da atriz Corina Sabbas, que assumiu de vez o papel na peça, substituindo a atriz Paloma Bernardi. Corina confere um grande desfecho para a peça em uma cena que talvez seja a mais dotada de quebra de linearidade e de um ar surpreendente para o público.

Por Mariana Mascarenhas

domingo, 24 de junho de 2012

Violeta foi para o Céu




Baseado na obra homônima escrita por Ángel Parra (filho de Violeta Parra), o drama Violeta foi para o Céu traz para os telões a biografia de uma das mais completas e famosas artistas chilenas que este país já conheceu: Violeta Parra (1917-1967) - compositora, cantora, artista plástica e ceramista – considerada personalidade símbolo deste lindo, simpático e organizado país sul-americano. Seu talento não se resumiu a ser reconhecido apenas pela população chilena, mas se destacou por diversos países mundo afora, caracterizando-a como uma das maiores folcloristas latino-americana do século XX.

O filme traz toda a intensidade das emoções que marcaram a vida da cantora desde sua infância, quando ela teve de lidar com o pai alcoólatra e agressivo, passando por suas relações amorosas, o começo, auge e declínio da carreira artística, até o momento de seu trágico desfecho.

O diretor chileno Andrés Wood acerta em cheio ao filmar uma produção cinematográfica de caráter tão intenso, exatamente como foi a vida da protagonista, vivida brilhantemente pela atriz Francisca Gavilán. Wood consegue levar o público para os bastidores da vida de Violeta de forma enérgica, criando um vínculo afetivo entre espectadores e a artista ao transportá-los para um convívio tão próximo com as aflições desta grande folclorista chilena.

Ele também inova na forma de narrar a biografia de Violeta Parra, ao produzir cenas da vida da cantora de maneira totalmente desprovida de qualquer linearidade cronológica, sendo a produção inteiramente composta por diversos fragmentos da vida de Violeta que incluem a infância, a ascendência e a decadência profissionais, as paixões... enfim todas se misturam e se alternam nos telões de modo que o público avance e ao mesmo tempo retroceda na linha do tempo da cantora em diversas vezes, compartilhando de seus sentimentos e experiências.

No entanto, tal diferenciação em se narrar a biografia da folclorista não chega a confundir a cabeça da plateia, mas deixa algumas incógnitas sobre o desenrolar de certos fatos que aconteceram em sua vida e não são apresentados nos telões, já que o filme se assemelha a uma exposição de quadros individualistas que, como já dito, não necessariamente possuem uma ligação cronológica entre si.

Mas tal aspecto não empobrece a grandeza do filme, enriquecido principalmente pela magnífica atuação de Francisca Gavilán, incorporando a personagem de forma intensa e realística. A expressão facial da atriz é muito bem trabalhada de maneira que ela mantém a imagem melodramática de Violeta do começo ao fim da trama, passando todas as suas aflições internas através apenas do excelente trabalho de atuação corporal. Isso aliado também não só à brilhante trilha sonora que retrata a trajetória e o repertório da personagem, como a música mais tocada que o casa com a atriz que o interpreta, realçada ao final da trama.

Vale conferir esta surpresa nos telões, assim como emocionar-se com a vida desta grande folclorista que desde a infância teve uma vida humilde e pobre, adorava o campo e, principalmente, sentir o calor do povo que a aclamava em suas apresentações, sempre mantendo uma íntima e estreita proximidade com eles.

Em 2012, o filme venceu a competição internacional do Festival Sundance, ganhou o Prêmio do Público no Festival de Cinema Latino-Americano de Toulouse, o "Grand Jury Discretionary Prize" no Festival de Cinema Internacional de Miami, além de vários outros que já lhe foram conferidos.


Por Mariana da Cruz Mascarenhas

domingo, 20 de maio de 2012

Um Violinista no Telhado



Estamos em um vilarejo russo habitado por diversos moradores judeus, incluindo um humilde leiteiro que vive com a mulher e cinco filhas em uma simples casa. A tradição e o conservadorismo de décadas passadas estão fortemente presentes na trama, que se passa na época em que mulheres e homens não se misturavam em ambientes sociais e filhas eram prometidas em casamento pelos pais. Assim acontece no musical Um Violinista no Telhado que permanecerá em cartaz até 15 de julho no teatro Alfa.

O espetáculo conta com a participação de José Mayer vivendo o protagonista e se destacando com uma excelente atuação ao incorporar Tevye, o leiteiro judeu, um personagem dotado de trejeitos e falas que provocam altas risadas na plateia do começo ao fim da peça. Apesar de se mostrar rígido e conservador no dever de suas missões, o leiteiro revela ter um ótimo coração, principalmente quando se trata de suas filhas.

A trama foca os conflitos vividos pelo protagonista, sua mulher (interpretada brilhantemente pela atriz Soraya Ravenle) e as três filhas mais velhas do casal, que querem se casar com rapazes por quem se apaixonaram. A princípio essas decisões desagradam profundamente os pais, primeiro pelo fato das garotas estarem desrespeitando um regime tradicionalista de se casarem com aquele que o pai ou a mãe escolher e segundo pela condição de cada um deles (dois são de baixa renda e um não é judeu).

Composto por uma história dotada de simplicidade e desprovida de acontecimentos muito envolventes, Um Violinista no Telhado desperta os olhares da plateia muito mais pelos números musicais, repletos de coreografias bem encenadas, do que pela trama em si. A atuação de José Mayer também colabora para engrandecer o espetáculo, já que o ator encara o personagem de uma forma tão natural e atraente criando um vínculo afetivo entre o público e o divertido leiteiro.

Adaptado por Claudio Botelho, a peça foi encenada na Broadway pela primeira vez em 1964 e agora chega a São Paulo. Vale a pena conferir e descobrir a mensagem que a peça traz ao fazer uma analogia entre o regime tradicionalista, que imperava na época, e o que a cena de um violinista tocando no telhado pode representar em contrapartida a essa tradição vigorosa.

Por Mariana Mascarenhas
  

terça-feira, 8 de maio de 2012

Titanic em 3D




Um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema volta aos telões quinze anos depois de sua estreia, em 1997. A mega produção de Titanic procura agora – no ano em que se celebra o trágico acidente real ocorrido com o navio – se aproximar ainda mais do público ao ganhar uma tecnologia aprimorada e ser rodada na versão 3D.

O filme revive não apenas a tragédia realmente ocorrida no século passado, mas incorpora uma versão do clássico Romeu e Julieta trazendo a história de um improvável e ao mesmo tempo magnífico e envolvente amor entre Rose (Kate Winslet), uma dama da alta sociedade, e Jack (Leonardo Di Caprio), um homem simples e bon vivant das classes populares que se sustenta desenhando pessoas de forma esplêndida e vendendo suas obras. Os dois se conhecem em abril de 1912 durante a primeira embarcação do transatlântico Titanic, que parte da Inglaterra com destino a Nova York.

A união entre os dois fica prestes a ser abalada ao perceberem que um desastre está para acontecer, assim que o transatlântico se choca com um iceberg e começa a afundar, para o desespero dos 2200 passageiros que estavam a bordo.

Se o diretor James Cameron pretendia resgatar na plateia a emoção outrora provocada pelos grandes efeitos da trama, ele certamente conseguiu. Titanic até hoje emociona inúmeros espectadores com a sua dramática história e uma produção que, mesmo depois de vários anos, com tantos filmes que se aprimoraram e se beneficiaram pela evolução tecnológica, continua sendo referência para efeitos especiais cinematográficos.

Apesar de não possuir muitos efeitos em 3D, os avanços tecnológicos investidos no longa-metragem para a sua volta aos telões acrescentam grande vivacidade a cenas memoráveis da trama, como o afundamento do transatlântico e a luta de seus passageiros pela sobrevivência.
Portanto, o segredo do sucesso duradouro produzido pelo Titanic vai muito além de sua história de amor e tragédia e se concentra na mega produção de efeitos cinematográficos feitos na medida certa, de forma arrebatadora e totalmente envolvente.

Ao contrário de muitas produções atuais que se beneficiam do uso de tecnologia inovadora de modo excessivo, sem se preocupar com o contexto e muito menos com uma linearidade cronológica que dê coerência ao filme, o diretor James Cameron sempre soube explorar em seus longa-metragens os efeitos especiais da forma mais perspicaz possível.
Vale a pena conferir e resgatar nos telões essa trama emocionante que se tornou uma das maiores ganhadoras do Oscar – conquistou 11 estatuetas – ao lado das produções O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e Ben-Hur.

Por Mariana Mascarenhas

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Hair

Sucesso mundial que estreou nos palcos em 1967 e foi parar nos telões no ano de 1979, o musical Hair, dirigido e remontado por Charles Möeller e Claudio Botelho, veio para o Teatro Frei Caneca em São Paulo, depois de conquistar as plateias cariocas.

Hair garante emoção do começo ao fim contando a história de uma tribo de hippies de Nova York que integravam o movimento da contracultura do ano de 1968, marcado por diversos movimentos de mesmo gênero que se espalharam pelo mundo pregando o direito à liberdade, sempre no estilo paz e amor acompanhado de sexo, drogas e rock and roll.

O espetáculo prende a atenção logo no começo ao abrir a trama ao som de “Aquarius”, traduzido para a versão brasileira, apresentando todos os personagens que compõem essa linda e emocionante história que foca a vida de Claude (Hugo Bonemer), um dos integrantes da tribo hippie. Diante da convocação para lutar na Guerra do Vietnã e da pressão dos pais conservadores para que o filho vá defender sua pátria como um verdadeiro soldado, Claude se vê na difícil tarefa de escolher entre ficar com pessoas de quem ele realmente gosta ou mudar radicalmente de vida ao escolher servir ao exército dos EUA.

Diferente de muitos musicais, Hair se consagra não pela riqueza de cenários ou figurinos presentes na peça, mas sim por um intenso e incrível trabalho de expressão corporal dos atores que, não somente se destacam, mas conseguem concentrar toda a complexidade de um musical apenas na atuação cênica sem precisarem de recursos externos para arrebatarem o público.

Vale destacar as atuações dos atores Hugo Bonemer e Fernando Rocha, além da voz incrível da atriz Karin Hils que faz o teatro vibrar em canções como “Aquário” e “Deixa o Sol Entrar” que encerra o espetáculo em uma belíssima cena impedindo que muitos espectadores consigam conter as lágrimas.

Por Mariana Mascarenhas


sábado, 7 de abril de 2012

Xingu

O filme, produzido por Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e dirigido por Cao Hamburger (Castelo Rá-Tim-Bum e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) foi filmado no Alto Xingu, com algumas cenas gravadas na Reserva do Morro Grande em Cotia. Xingu resgata a fabulosa e corajosa saga dos Irmãos Villas Boas, cujos nomes representam internacionalmente sinônimo de proteção à cultura indígena e de preservação dos modos de vida dos primeiros brasileiros que habitaram originalmente nosso continente.

Tendo como pano de fundo a própria Selva Amazônica – patrimônio da humanidade – formando um maravilhoso e extasiante cenário, o misto de aventura, documentário e romance começa com Orlando (João Miguel) e o jovem Leonardo (Caio Blat) embarcando numa perigosa aventura para o Alto Xingu, seguido por Claudio (Felipe Camargo). Despertando curiosidade e suspense, os irmãos embrenham-se pela floresta e fazem os primeiros contatos com os índios Caiabis, participando ativamente de seu relacionamento com os caraíbas (homem branco). Esse contato, a princípio positivo, gera um dos momentos mais dramáticos do filme, prendendo os olhares e a respiração da plateia: a chegada do branco trouxe epidemias de doenças que os índios não conheciam, como a gripe, que acaba por dizimar metade de uma aldeia. Tudo isso é mostrado com beleza e realismo pela produção da O2 Filmes.

Durante seu desenrolar, além de revelar vários aspectos da cultura indígena e não apenas seu relacionamento entre as diversas tribos, mas também com a civilização branca, a trama expõe muitas das agruras às quais os povos indígenas foram submetidos, face à sanha de enriquecimento movida por interesse dos homens brancos em expandir suas fronteiras agrícolas e exploratórias e a auto-suficiência e arrogância de alguns dos militares de então.

Apesar disso, tais acontecimentos geraram grandes conquistas, pois, em 1961, o então presidente Jânio Quadros cria o Parque Nacional do Xingu, que se tornaria um dos maiores parques indígenas do mundo e habitat atual de 14 etnias diferentes, totalizando cerca de 5.500 índios. Além dos caiabis, os irmãos foram os primeiros brancos a fazer contato com os kreen-akarore, uma tribo que jamais havia conhecido um homem branco, sendo este um dos momentos mais surpreendentes do filme.

Em suma, essa produção, que teve sua pré-estreia no Cine Sabesp, uma de suas patrocinadoras, é um filme deslumbrante, num cenário belíssimo. Trata-se de uma história real que nos orgulha de sermos brasileiros e das nossas riquezas naturais, mostrando que o cinema nacional tem amplas condições para protagonizar histórias belíssimas e que resgatam a nossa cultura e a presença do público aos nossos filmes, bem como história de verdadeiros heróis que contribuíram para a construção de nossa identidade. Um filme que promete arrebatar plateias e acaba de estrear nos telões.

Por Sérgio Eduardo Nadur

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Priscilla, Rainha do Deserto

Apresentada nos telões em 1994, finalmente a história de Priscilla, Rainha do Deserto ganha uma versão para os palcos sendo realizada simultaneamente, pela primeira vez, na Broadway e também no Brasil.

A trama traz a divertida e envolvente aventura de três drag queens – Mitzi (Luciano Andrey), Felícia (André Torquato) e Bernadette (Ruben Gabira) - que embarcam em um ônibus apelidado de Priscilla rumo ao deserto australiano.

Com diversas trocas de cenário e coreografias muito bem trabalhadas, o espetáculo musical paralisa os olhos da plateia que se encanta com os personagens, as músicas e os figurinos deslumbrantes. Isso sem contar um dos momentos memoráveis da peça, que traz para os palcos um ônibus, orçado em 1,7 milhão de dólares, com uma iluminação diferenciada que se altera de acordo com as cenas apresentadas.

Quanto às atuações, se destacam o trabalho de André Torquato, que do começo ao fim da peça encara com brilho e muita energia a engraçada e badalada drag Felícia e Ruben Garbira, que confere entrega total ao personagem, trazendo para o público uma Bernadette emotiva, divertida e, ao mesmo tempo, que sabe lidar com os preconceitos impostos aos homossexuais por alguns setores da sociedade.

O espetáculo conta ainda com as participações de Simone Gutierrez – que foi destaque no espetáculo Hairspray (2009) entre outros e Saulo Vasconcelos – que se consagrou em musicais como O Fantasma da Ópera (2005), Os Miseráveis (2001), Cats (2010) entre outros.

Para não quebrar o encanto das mais famosas músicas dos últimos tempos como “I will survive”, “It’s Raining Men”, “I say a little prayer” e “Material Girl”, os atores cantam a versão original das canções despertando uma vontade de dançar nos espectadores, que têm a chance de entrar no clima, mexendo o esqueleto, ao final da peça.

Por Mariana Mascarenhas